quinta-feira, 3 de abril de 2008

Queijo de cabra, sem preconceito


Caprinocultores nacionais rompem prevenção do consumidor ao produzir com alta qualidade

Agência Estado

O queijo de cabra vem conquistando espaço no mercado nacional. Primando pela qualidade, caprinocultores conseguem derrubar o preconceito do consumidor em relação aos derivados do leite caprino, trabalhar com lucro e até atender a nichos de mercado que optavam exclusivamente pelos queijos importados, sobretudo da França. Para a pesquisadora Lea Chapaval, da Embrapa Caprinos, em Sobral (CE), o crescimento do setor se deve ao alto padrão dos queijos nacionais e também a uma mudança de mentalidade do consumidor. ''Estamos derrotando o preconceito dia a dia, e mostrando para os agricultores que o queijo feito com boa qualidade é um grande negócio.''

Para a zootecnista da Associação Paulista dos Criadores de Caprinos (Capripaulo), Carla Francesconi Noznica, é crescente o número de caprinocultores que optam pela produção de queijo, e a associação se esforça em divulgar esses produtores a interessados em investir na mesma área. ''Sempre promovemos o crescimento do setor com a ajuda dos associados, e o queijo é uma ótima opção que surgiu de quatro anos para cá.''

Considerados finos, os queijos de cabra possuem valor de mercado muito atraente. Devido ao seu alto preço, atende a um nicho específico. Apenas restaurantes, hotéis, empórios e pouquíssimos supermercados oferecem o produto, voltado para as classes média e alta, que podem desembolsar R$ 13 por apenas 100 gramas de queijo. Assim, para o caprinocultor, a rentabilidade é garantida, segundo a pesquisadora Lea Chapaval.

CustosComo comparação, o produtor Jaime Perez Dias, de São Bernardo do Campo (SP), diz que 30 litros de queijo de cabra são vendidos, em média, por R$ 30, enquanto 1 quilo de queijo chega a valer R$ 120, para um custo médio de produção de R$ 60.

Um capril abandonado foi a inspiração necessária para que o contador Dias desse o primeiro passo para criar cabras. Seu sogro havia desistido da criação e Dias decidiu mudar-se para a propriedade e investir no negócio. ''As teias de aranha que tomavam conta do capril me deram um desgosto, então resolvi movimentar aquilo'', conta.

Para começar, Dias comprou oito animais de elite, da raça toggenburg, e viajou para a região serrana do Rio de Janeiro em busca de outras matrizes. Quando já possuía um plantel de 120 animais, deparou-se com um problema: as cabras davam muito leite, e ele não sabia o que fazer com o produto, já que seu negócio principal era a compra e venda de reprodutores.

No início, doou o leite para creches e igrejas da região. Para dar um destino lucrativo ao leite, Dias fez um curso de queijo de leite de cabra da Queijaria Suíça de Nova Friburgo (Frialp), no Rio de Janeiro. Contratou um mestre queijeiro e, em 2002, começou a fabricação de queijos em sua propriedade de 12 hectares. Começou com a produção de 12 quilos de queijo por mês, de 12 tipos diferentes.

Atualmente, a Pecuária Albatroz tem capacidade de produzir 1.500 litros de leite/dia, ou 150 quilos de queijo, num capril recentemente ampliado, que pode abrigar 500 animais. Dias mantém os 12 tipos de queijos de cabra: frescal, fromage, boursin, chevrotin, moleson, saint maure, crottin, selles surcher, pyramide, brich, charolais, camembert. Seu mercado são restaurantes, empórios e hotéis da capital.

No nordesteAtualmente, o contador tem um rebanho de 460 cabras das raças toggenburg, saanen e alpina e vai ampliar mais ainda o negócio. Até o fim de 2008 pretende criar cabras em Pernambuco, onde acertou uma parceria com um criador no Recife. Além do novo capril, instalou nova sala de ordenha e queijaria e obteve, com isso, sua certificação no Serviço de Inspeção Federal (SIF).

A zootecnista Carla, da Capripaulo, explica que, para iniciar uma criação de cabras é fundamental um galpão protegido do vento e da umidade e, além disso, uma área para pastagem. É recomendável, inicialmente, separar 25 cabras para cada bode. ''Instruímos o criador quanto ao mercado. Se ele quer produzir queijo, explicamos um pouco a respeito do setor e abordamos temas como a logística e o mercado consumidor que o criador precisa para obter sucesso, além de recomendarmos cursos'', completa a zootecnista.

Arroz e feijão são ingredientes de sobremesa japonesa


Especialista usa produtos típicos do Brasil para fazer doce que comia em Tóquio.
Nas mãos de Shizuko Yasumoto, eles viram bolinhos com um creme de açúcar.

Agência Globo

Nas panelas, uma combinação que todo brasileiro conhece e aprecia: arroz e feijão. Mas no fogão da especialista em culinária japonesa Shizuko Yasumoto, a famosa dupla vira sobremesa.

Usando a técnica oriental do paninho ela envolve os bolinhos de arroz com um creme de açúcar e feijão. A receita faz a especialista em culinária japonesa voltar ao passado. Cada bolinho lembra o tempo em que ela morava com a família em Tóquio.

Ela vive no Brasil há 40 anos e apesar de defender o sabor da cozinha japonesa confessa que logo que chegou por aqui se apaixonou por uma delícia bem brasileira. “Primeiro, cheguei no Brasil e assustei com quindim. Por que era tão amarelo? Achei que colocava tinta. Depois eu estudei e aprendi que era a gema”, diz. “Achei gostoso”

Shizuko conta que o doce saudável tem 2 nomes. No outono é "orragui". Na primavera, em homenagem a esta flor, se chama "botamoti". “Dentro tem arroz sem açúcar, então não é tão doce”.

Os amigos da anfitriã fazem questão de provar o docinho que acabou de sair da panela. “Parece um coco ralado e chocolate, mas é arroz e doce de feijão fora. É delicioso. Pra mim é sabor da infância lembra muito da minha mãe, da minha irmã, que a gente fazia junto”, afirma um deles. “Está saboroso. Nunca tinha comido tão gostoso”, diz outro.

Apesar de doce, o orragui não deve ser saboreado depois do almoço ou do jantar. É um lanche da tarde, diz quem entende do assunto. E pode ser saboreado com chá verde.

Chá verdeO chá verde que na casa de Shizuko é o acompanhamento obrigatório pro docinho de arroz e feijão, em uma confeitaria de São Paulo se transforma na matéria prima principal de um rocambole. Aqui tem chá verde na massa, na cobertura e em boa parte do recheio.

O bolo é uma invenção de um confeiteiro japonês que há 10 anos se mudou com a mulher para São Paulo. Jully Lumi é brasileira e conheceu o chef Shinobo Sasaki do outro lado do mundo. “Eles testavam e eu provava. Os clientes começaram a gostar e assim criamos os ovos de chá verde, o bolo de chá verde”, conta Jully.

A mistura deu certo. O pó de chá verde, chamado de "matchá", dá cor e um sabor oriental à massa do rocambole. O bolo com recheio de frutas também tem o gostinho da folha.

Até o sorvete e o chantilly sáo feitos com chá verde. O doce de feijão e o capricho do confeiteiro dão um toque especial à sobremesa.

Pensando nos apaixonados por chocolate, o casal investiu em novas receitas, como as trufas verdes. Além de gostosa, a sugestão é uma boa maneira de homenagear esses imigrantes que ajudam há 100 anos a incrementar os sabores do Brasil.