
Iídiche mames e outros cucas falam das receitas publicadas no 'Paladar'
Agência Estado
Na última edição do Paladar, uma reportagem sobre as sopas servidas em Pessach, a páscoa judaica, alertava sobre a polêmica culinária que o tema poderia suscitar entre membros da comunidade. Não foi diferente. Decidimos, assim, publicar uma amostra dos comentários feitos por alguns leitores (já conscientes da indignação dos que ficaram de fora). O Pessach em Nova YorkFelipe Szabzon, judeu polonês, aponta uma suposta deturpação da receita original de kneidalech, a sopa com bolinhos de matzá (pão ázimo). ''Chuchu no caldo é um abrasileiramento exagerado. Minha avó jamais faria isso'', disse ele.
Também ashkenazi (judeus da Europa Central e Oriental), Ilana Weintraub fez questão de destacar que prefere fazer o kneidalech sem cebola, ''porque aqui em casa meu público é muito variado''. Anita Kesselman, uma das duas iídiche mames que prepararam as sopas, reclamou: ''A receita leva um copo e meio de água, faltou dizer. ''
Claro que Debby Dayan, a outra cozinheira que apareceu na reportagem, de tradição sefaradi (judeus do Oriente Médio, Norte da África e Península Ibérica), fez igualmente sua queixa: ''Faltou o telefone do meu bufê'' (certo, lá vai - 3362-1529). ''Mas adorei a foto. Em Rosh Hashanah (ano-novo judaico), devo aparecer na TV.''
Em defesa de Debby, Karina Simon disse que houve falta de neutralidade. ''Achei a matéria pró-ashkenazi. Não deram o mesmo direito de resposta às duas e a sefaradi acabou prejudicada.'' Quanto à sopa que Dayan preparou, o hamod, Regina Harari protestou: ''Não vai cominho, nem esses negócios que ela usou. Eu faço com hortelã.''
Já Samuel Kon lembrou aos netos que ''é típica essa história de cada uma achar seu prato o melhor''. E, quando soube da polêmica, Renata Simon fez uma defesa apaixonada da reportagem. ''Como alguém poderia reclamar? A matéria está interessantíssima e muito bem escrita'', argumentou ela - que é a mãe judia do repórter.
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